julho 18, 2010

Um ‘chevalier des arts’ no Perfil

Posted in Entrevitas, Literatura tagged , , às 1:08 pm por perfilliterario

O autor Antonio Torres conta-nos suas memórias de Junco, cidade baiana chamada hoje de Sátiro Dias. Lá, Antonio nasceu em 1940. E também de lá veio as inspirações do seu romance “Essa Terra”, de 1976. Com uma narrativa forte, coroada por detalhes autobiográficos, o escritor aborda o êxodo rural do nordestino, que migra para o Sul e Sudeste do país.

Esta obra foi a sua porta de entrada no mercado editorial francês, em 1984. 14 anos mais tarde, Arnaldo foi condecorado pelo governo francês como “Chevalier des Arts et des Lettres”. Em 2000, ganhou o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra. Ele ainda conquistou o Prêmio Zaffari & Bourbon, da 9a. Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (RS), por seu romance “Meu querido canibal”, em 2001; e o Prêmio Jabuti, com “Pelo fundo da agulha”, em 2006.

O Perfil Literário também traz a entrevista com o fotógrafo Armando Prado. Ele nos fala da busca pela imagem autoral, e do trabalho feito com polaróides e a passagem do tempo.

Ouça essas e outras entrevistas no repositório virtual.

  • 464 – André Vallias
  • 479 – Flávia Vieira Amparo
  • 496 – Julio Bittar
  • 497 – Casé Lontra Lopes
  • 501 – Selma Machado Simão
  • 502 – Anselmo Gimenez Mendo
  • 504 – Alberto Mussa
  • 505 – Ildasio Tavares
  • 506 – Mariel Reis
  • 507 – Antonio Torres
  • 508 – Pipol
  • 511 – André de Leones
  • 512 – Gumercindo Rocha Dorea
  • 514 – Antonio Carlos Viana
  • 816 – Armando Prado
  • 818 – Letras em Cena 12

julho 12, 2010

Prêmio São Paulo de Literatura – 2010

Posted in Entrevitas, Estudos, Literatura tagged , às 2:35 pm por perfilliterario

O Perfil Literário entrevista dois finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura – 2010. Carlos Brito e Mello concorre na categoria Melhor Livro – Autor Estreante do Ano de 2009; e Ondjaki concorre ao Prêmio São Paulo de Melhor Livro do Ano de 2009. O concurso da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo premia os livros editados e comercializados em 2009, com o valor de R$ 200 mil cada um. (Veja a lista dos finalistas).

E aXXIII Reunião Anual da Abeu (Associação Brasileira de Editoras Universitárias) continua em pauta no Perfil. Desta vez, os debatedores das messas redondas do evento Valter Kuchenbecker e Valdir Barzotto expõe suas percepções sobre os temas do evento.

Ouça estas e outras entrevistas no repositório virtual.

  • 446 – Neide Marcondes de Faria
  • 457 – Ricardo Silvestrin
  • 466 – Sergio Pereira Couto
  • 467 – Adriano Spínola
  • 468 – Nelson Cruz
  • 470 – Marina Souza Lobo Guzzo
  • 471 – Marcus Aurellius Pimenta
  • 475 – Lelis
  • 476 – Felipe Fortuna
  • 477 – Allan Sieber
  • 481 – Eurípides Costa do Nascimento
  • 788 – Valter Kuchenbecker
  • 806 – Valdir Barzotto
  • 808 – Nem todo ladrão vem para roubar
  • 809 – Carlos Brito e Mello
  • 810 – Ondjaki
  • 813 – Letras em Cena 1

junho 9, 2009

Beatriz Bracher – A presentificação do passado

Posted in Beatriz Bracher, Literatura tagged às 5:28 pm por perfilliterario

Beatriz Bracher

Nascida em 1961 em São Paulo, SP, Beatriz Bracher começou seu trajeto literário na revista 34 Letras e como co-fundadora da Editora 34, onde trabalhou de 1992 a 2000. Junto com Sergio Bianchi, desenvolveu a idéia original do filme Cronicamente inviável. Publicou Azul e dura (2002),  Não falei (2004) e Antonio (2007).

 Qual é a sua formação como leitora?
Beatriz: Minha formação de leitora vem muito de família e da escola. Na minha casa, as pessoas tinham muitos livros. Meus pais liam muito. Meus irmãos foram aprendendo a ler e gostando de ler também. Uma vez, com 11 anos, viajei para fora do Brasil e fiquei dois meses fora. Senti muita saudade do português. Foi aí que comecei a ler. Meus pais me mandaram um livro em português chamado Boi aruá, de Luis Inácio de Miranda Jardim. Fiquei tão feliz de encontrar o português de novo, que, a partir daí, comecei a ler de verdade. Estava com saudade da língua. Precisava dela para ser eu mesma.

Dessas primeiras leituras, alguma coisa que te marcou especialmente?
Beatriz: Um livro cômico chamado Pequeno Nicolau, com texto de Goscinny, o mesmo autor do Asterix, e ilustração de Jean Jaques Sempé. Era um livro com pequenas histórias que eu adorava ler. Na minha geração, com 15 anos, nomes como Borges e Cortázar eram muito mencionados. Era uma época que a literatura latino-americana era muito falada. Tem também o Kafka. No começo da década de 1970, os concretistas eram muito importantes. Gostava muito também do Jaó Cabral de Melo Neto. Foi um início maravilhoso. Comecei muito bem. Ler era valorizado. Para você ser bem visto com os amigos, era preciso ser mais culto. Era uma forma de inserção.

Como começou a sua produção pessoal nesse trajeto?
Beatriz: Desde a adolescência, pensava que a coisa mais importante era ser a melhor escritora. Podia me transformar na melhor editora do mundo ou na melhor física, mas nada seria tão importante como isso. Talvez por colocar a atividade da escrita num local tão elevado, tinha muito medo. Escrevi alguns contos, mas nunca mostrei para ninguém. A idéia de fazer a revista e, depois, a editora 34, sempre com outros amigos, veio gostava de ler e achava que não tinha espaço onde publicar. Queria criar um espaço para ler o que me interessava. Com a experiência da editora, fui vivenciando a coragem das pessoas de mandar livros inéditos. Às vezes eram ruins e outras, bons, mas precisando de ajustes. Escrever é uma coisa que exige trabalho e também coragem. Me faltava isso. O trabalho na editora me ajudou pelo exemplo daqueles que escreviam os originais que eu precisava ler e selecionar.

Qual é seu próximo projeto?
Beatriz: É um livro de contos chamado Meu amor. São aproximadamente 20. Metade foi publicada. Quatro, no Correio Braziliense; um, na revista carioca Ficções; e dois, na Bravo. São textos que ficaram dispersos, e muitas pessoas que gostam dos meus livros  nunca leram. Neles tenho um estilo muito diferente dos romances. Sinto isso, embora os temas se repitam. No começo, os escrevi por encomenda, porque o conto é uma maneira do autor se divulgar, de as pessoas o conhecerem. Uma revista não publica um romance, mas um conto, sim. É um aperitivo. Alguém lê o conto e se interessa pelo romance. Como eu adoro conto, achava que não ia saber fazer. É mais difícil e rápido do que o romance. Neste, você pode errar a mão aqui ou dispersar um pouquinho ali, que até fica interessante. No conto, isso é impossível. No final, gostei de escrevê-los. Espero ter acertado a mão pelo menos em alguns.

Ouça a entrevista da escritora

maio 21, 2009

Arlindo Gonçalves – A escrita da imagem

Posted in Arlindo Gonçalves, Literatura tagged às 2:11 am por perfilliterario

Foto de Gonçalves sobre São Paulo

Foto de Gonçalves sobre São Paulo

Escritor e fotógrafo, Arlindo Gonçalves gosta de São Paulo, especialmente do Centro Velho da cidade, ao qual dedica grande parte do seu trabalho. Em 2004, publicou Dores de perdas; em 2005, Desonrados e outros contos; e, em 2008, Desacelerada mecânica cotidiana.

Entre seus temas principais, estão o cotidiano, os anônimos e o espaço urbano. De onde sai a matéria-prima do seu trabalho?
Gonçalves: Minha matéria-prima é o cotidiano. Como também sou fotógrafo, os três livros têm imagens minhas, inclusive as das capas. Comecei, antes de escrever literatura, a estudar fotografia. Moro no Centro e fotografava a região aos domingos. Construí uma maneira de olhar a cidade que tem muito mais a ver com a literatura do que com a pintura. É feita da construção de narrativas de imagens. Quando comecei a fotografar São Paulo, acompanhava as pessoas. Em dado momento, comecei a escrever. Não tenho nenhuma história romântica de como comecei a fotografar nem de como comecei a escrever. Tem autores que sabem desde criança o que vão ser, aquela coisa meio poética. Comigo foi muito tranqüilo. Passei a fotografar com a minha namorada, Luciana Fátima, que também é escritora, fotógrafa e parceira em um projeto de fotografia chamado Diálogos com a cidade. Direcionamos o nosso trabalho para imagens urbanas, especificamente de São Paulo. Um dos trabalhos que mais me influenciou para a literatura foi um ensaio fotográfico sobre o elevado Costa e Silva, o Minhocão. Ficamos quatro anos fotografando o local durante os finais de semana. Muitas fotos dos livros são desse trabalho. Tínhamos as imagens e muitas delas, depois de prontas, foram expostas no Shopping Light e no próprio Minhocão, aos domingos, a pedido da Secretaria de Esportes da cidade. Nelas, a literatura tem tudo a ver com fotografia. Comecei a construir minha interpretação sobre as cenas, sobre uma pessoa que estava passando ali, uma sombra, a presença do concreto e o impacto da publicidade, que existia na época. Hoje com a Lei da Cidade Limpa, as propagandas não existem mais. Comecei a construir histórias visuais. Um dia, também de forma bem tranqüila, a Luciana, que fazia um curso de comunicação e começou a escrever antes de mim dentro de oficinas de construção de textos, me falou: “Por que você não escreve também? Você gosta de literatura”. Comecei a escrever. Peguei as imagens fotográficas e comecei a compor histórias baseadas nas imagens. Muitas das histórias de Desonrados, meu segundo livro, surgiram assim. Elas partem do que tem mais impacto de fotografia. Construí histórias a partir delas, como de um anúncio que me chamava a atenção.

A conexão é mais direta nesse livro?
Gonçalves: Sim. Em Desonrados, mais que nos outros dois. São histórias que falam do cotidiano. Seus protagonistas são personagens simples, pessoas humildes, anônimas da cidade. Dou a esses livros o nome de Trilogia do anonimato. Coloquei esse termo no último livro. São histórias intercaladas, não livros propriamente de contos. Dores de Perdas, o primeiro, é um livro que tem duas histórias longas que se intercalam. Desonrados são dez histórias curtas. Por um pedido da editora, foi colocado o subtítulo “ e outros contos”, mas, como menciona Nelson de Oliveira no prefácio, é mais uma novela multifacetada, intercalada. São histórias curtas que você pode ler de maneira independente, embora o aproveitamento seja maior lendo-as todas, porque elas compõem um único romance. Desacelerada mecânica cotidiana encerra essa trilogia. É composta por duas partes: “Seres e vivências”, formada de histórias curtas, e “A oração e outros apelos ruidosos”. Todos os personagens estão presentes nos três livros. São as mesmas pessoas retratadas e elas compõem uma única história. Você pode ler tranqüilamente qualquer um dos três livros isoladamente sem problemas de entendimento. O aproveitamento, porém, é sempre maior se você conhecer os três trabalhos.

Como é a seleção das imagens fotográficas que você produz?
Gonçalves:  Meus livros têm histórias pesadas. Nem sempre contemplam finais felizes. As imagens são bastante introspectivas. Tive um critério de seleção. Como, em Desonrados, falo sobre a região do Minhocão, coloquei fotografias desse assunto. Tem muita sombra. São fotos das manhãs de um dia de inverno, que tem uma sombra bonita, uma luz muito boa para trabalhar. Atualmente estou fazendo o contrário. Antes as fotografias precederam os livros. Agora estou fazendo o oposto. Já tenho um quarto livro pronto e agora estou selecionando as imagens.

Ouça a entrevista do escritor e fotógrafo

abril 27, 2009

Luiz Ruffato – A classe operária na literatura

Posted in Literatura, Luiz Ruffato tagged às 1:15 am por perfilliterario

Luiz Ruffato

Luiz Ruffato

 

Nascido em Cataguases, MG, em 1961, Luiz Ruffato é formado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora e exerceu o jornalismo em São Paulo. Publicou Histórias de remorsos e rancores (1998) e Os sobreviventes (2000), ambos coletâneas de contos. Ganhou os prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional com o romance Eles eram muitos cavalos, de 2001, livro  publicado também na Itália (Milão, Bevino Editore, 2003), na França (Paris, Métailié, 2005) e Portugal (Espinho, Quadrante, 2006). Em 2002, publicou As máscaras singulares (poemas) e Os ases de Cataguases, contribuição para a história dos primórdios do Modernismo (ensaio). Em 2005, iniciou a série Inferno provisório, projetada para cinco volumes, com os livros Mamma, son tanto felice e O mundo inimigo. Destes seguiram-se Vista parcial da noite e O livro das impossibilidades. Esses romances foram premiados pela APCA como melhor ficção de 2005.

 

Qual é a conexão entre o seu trabalho e a cidade de Cataguases, onde você nasceu?
Ruffato: Tive o privilégio de nascer em Cataguases não pelo fato de ela ter sido uma cidade modernista e que teve uma revista e uma arquitetura importantes, mas por ser uma cidade industrial há cem anos. Isso mudou completamente o meu conceito de visão de mundo que, teria sido outro se eu fosse oriundo de uma cidade rural. A mentalidade é completamente diferente. Pude, desde a mais tênue infância, perceber as contradições sociais e as questões econômicas que envolviam tudo aquilo. Havia os donos das indústrias que ninguém conhecia, que nem rosto tinham; uma classe média, como médicos, engenheiros e diretores, que dá apoio aos proprietários; o pessoal que trabalhava na fábrica; e um último bloco de marginalizados e prostitutas. Tudo era muito estruturado. Quando pensei em escrever, não tinha nenhuma dúvida que a minha literatura teria que ser urbana, em primeiro lugar, e que tinha de tratar de questões ligadas à questão operária. Isso para mim sempre foi muito claro.

 O que é ser escritor para você?
Ruffato: Costumo brincar dizendo que sou um escritor que nunca sonhou ser escritor. Na minha infância, queria ser bancário, porque o marido da minha professora exercia essa função e achava que, sendo bancário, ia poder conquistá-la. Mas me formei torneiro mecânico e fui trabalhar na área. Depois entrei no curso de jornalismo, na Universidade de Juiz de Fora. Só muitos anos depois é que realmente fui pensar de uma maneira mais consistente em ser jornalista e, depois, em ser escritor. Estreei muito tarde, em termos de literatura brasileira, com 37 anos. Antes disso, fiz algumas experimentações para saber exatamente sobre o que escrever e sobre como escrever o que eu queria.

O que você pode deixar como recado para quem tem o desejo de ser escritor no Brasil?
Ruffato: Independentemente de ser escritor ou não, se você tem um sonho e acredita nele, tem que lutar e brigar por ele. No caso do escritor, é impossível ser um sem ler. Tem que ler muito e conhecer profundamente o seu instrumento de trabalho, que é a língua, assim como a teoria literária. É bom saber ainda que os seus melhores críticos vão ser aquelas pessoas que te amam profundamente, ou seja, aqueles que vão te criticar mesmo. Nunca acredite na crítica positiva por ela mesma, acompanhada de uma batidinha nas costas: “Você é ótimo, maravilhoso”. Sempre desconfie disso.
 
 
 
 
 

 

 

 

 Ouça a entrevista do escritor

   Leia o blog