junho 9, 2009

Beatriz Bracher – A presentificação do passado

Posted in Beatriz Bracher, Literatura tagged às 5:28 pm por perfilliterario

Beatriz Bracher

Nascida em 1961 em São Paulo, SP, Beatriz Bracher começou seu trajeto literário na revista 34 Letras e como co-fundadora da Editora 34, onde trabalhou de 1992 a 2000. Junto com Sergio Bianchi, desenvolveu a idéia original do filme Cronicamente inviável. Publicou Azul e dura (2002),  Não falei (2004) e Antonio (2007).

 Qual é a sua formação como leitora?
Beatriz: Minha formação de leitora vem muito de família e da escola. Na minha casa, as pessoas tinham muitos livros. Meus pais liam muito. Meus irmãos foram aprendendo a ler e gostando de ler também. Uma vez, com 11 anos, viajei para fora do Brasil e fiquei dois meses fora. Senti muita saudade do português. Foi aí que comecei a ler. Meus pais me mandaram um livro em português chamado Boi aruá, de Luis Inácio de Miranda Jardim. Fiquei tão feliz de encontrar o português de novo, que, a partir daí, comecei a ler de verdade. Estava com saudade da língua. Precisava dela para ser eu mesma.

Dessas primeiras leituras, alguma coisa que te marcou especialmente?
Beatriz: Um livro cômico chamado Pequeno Nicolau, com texto de Goscinny, o mesmo autor do Asterix, e ilustração de Jean Jaques Sempé. Era um livro com pequenas histórias que eu adorava ler. Na minha geração, com 15 anos, nomes como Borges e Cortázar eram muito mencionados. Era uma época que a literatura latino-americana era muito falada. Tem também o Kafka. No começo da década de 1970, os concretistas eram muito importantes. Gostava muito também do Jaó Cabral de Melo Neto. Foi um início maravilhoso. Comecei muito bem. Ler era valorizado. Para você ser bem visto com os amigos, era preciso ser mais culto. Era uma forma de inserção.

Como começou a sua produção pessoal nesse trajeto?
Beatriz: Desde a adolescência, pensava que a coisa mais importante era ser a melhor escritora. Podia me transformar na melhor editora do mundo ou na melhor física, mas nada seria tão importante como isso. Talvez por colocar a atividade da escrita num local tão elevado, tinha muito medo. Escrevi alguns contos, mas nunca mostrei para ninguém. A idéia de fazer a revista e, depois, a editora 34, sempre com outros amigos, veio gostava de ler e achava que não tinha espaço onde publicar. Queria criar um espaço para ler o que me interessava. Com a experiência da editora, fui vivenciando a coragem das pessoas de mandar livros inéditos. Às vezes eram ruins e outras, bons, mas precisando de ajustes. Escrever é uma coisa que exige trabalho e também coragem. Me faltava isso. O trabalho na editora me ajudou pelo exemplo daqueles que escreviam os originais que eu precisava ler e selecionar.

Qual é seu próximo projeto?
Beatriz: É um livro de contos chamado Meu amor. São aproximadamente 20. Metade foi publicada. Quatro, no Correio Braziliense; um, na revista carioca Ficções; e dois, na Bravo. São textos que ficaram dispersos, e muitas pessoas que gostam dos meus livros  nunca leram. Neles tenho um estilo muito diferente dos romances. Sinto isso, embora os temas se repitam. No começo, os escrevi por encomenda, porque o conto é uma maneira do autor se divulgar, de as pessoas o conhecerem. Uma revista não publica um romance, mas um conto, sim. É um aperitivo. Alguém lê o conto e se interessa pelo romance. Como eu adoro conto, achava que não ia saber fazer. É mais difícil e rápido do que o romance. Neste, você pode errar a mão aqui ou dispersar um pouquinho ali, que até fica interessante. No conto, isso é impossível. No final, gostei de escrevê-los. Espero ter acertado a mão pelo menos em alguns.

Ouça a entrevista da escritora

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